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Nome no país de
origem: Fila Brasileiro
"Padrão elaborado pelo Dr. Paulo Santos Cruz"
Aparência Geral:
Raça tipicamente molossóide. Talhe grande; massa
poderosa, ossatura robusta, dando a impressão de
alentada concentração de força e poder, mas sem
parecer, nem ser, pesado, lerdo, apático.
Figura: Retangular, compacta, porém harmônica, bem
proporcionada, simétrica. Caracteres sexuais
secundários pronunciados, destacando nitidamente
machos e fêmeas.
Temperamento:
Dotado de coragem, determinação e valentia notáveis.
Não oculta sua ojeriza a estranhos, nem sua
tradicional meiguice, obediência e fidelidade aos
donos e seus familiares. Conseqüentemente é, nas
cidades, inexcedível guarda de propriedades e, no
campo, exímio boiadeiro e caçador de animais de
grande porte.
Como resultado de seu temperamento, nas exposições
não permite ser tocado pelo juiz (um estranho) e, se
o atacar, não deve tal reação ser considerada falta,
mas apenas confirmação de seu temperamento.
Nas provas de temperamento, obrigatórias nas
exposições, após doze meses de idade, seu ataque
deve ser em diagonal ascendente, à frente do
apresentador, e sem deste revelar dependência.
Sistema Nervoso:
Comportamento calmo, sereno, revelando segurança e
confiança próprias, suportando perfeitamente
ambientes e ruídos estranhos, como tiros de festim,
teste obrigatório nas exposições, nunca disparado a
menos de cinco metros e sempre após a idade de doze
meses.
Movimentação:
1) Passos:
largos, elásticos, compassados, aparentemente
pesados, lembrando os dos felinos, mantendo a cabeça
ao nível ou abaixo da linha do dorso. Principal
característica do passo é a movimentação das duas
pernas de um lado, e só depois as do outro, em
perfeito “passo de camelo”, originando balanços
laterais do tórax e da garupa, acentuados pela cauda
quando erguida.
2) Trote: fácil,
suave, leve, largo, de bom rendimento.
3) Galope: poderoso, alcançando velocidades
insuspeitadas em cães de tal porte e peso.
A movimentação, principalmente no passo, denuncia as
articulações frouxas, características da raça,
principalmente nos membros e no dorso, revelando ser
o Fila capaz de mudar de direção súbita e
rapidamente.
Cabeça:
Braquicéfala, grande, pesada. De perfil mostra
focinho de comprimento praticamente igual ao do
crânio; e de boa profundidade; occipital saliente;
orelhas grandes e pendentes; stop baixo. De frente é
larga, focinho forte, de curvas bem convexas, crânio
amplo, levemente curvo, como também as laterais.
Crânio: De perfil mostra suave curva do stop ao
occipital, que é bem saliente. De frente é largo,
amplo, levemente curvo. Suas laterais descem, em
curva muito suave, quase em vertical, sem parótidas
inchadas, e avançam, em curva suave, nunca formando
degrau, para o focinho.
Occipital: Saliente, destacando-se bem da nuca.
Stop: Visto de
frente é virtualmente inexistente; em seu lugar há
um sulco, em suave aclive, entre os olhos,
estendendo-se até a metade do crânio. Visto de lado
é baixo, inclinado, porém perfeitamente aparente,
formado que é pelas arcadas superciliares.
Orelhas: Caídas,
grandes, grossas, muito largas na raiz,
estreitando-se para a extremidade arredondada. Sua
raiz é inclinada, sendo bordo anterior mais alto que
o posterior, e sua inserção é na parte mais
posterior do crânio e, quanto à altura, é variável:
baixa quando o cão em repouso, alta quando em
atenção. Permitidas orelhas caídas lateralmente e de
rosa.
Olhos: De expressão triste quando em repouso, mas
enérgica e determinada quando atentos; de tamanho
médio a grande, ligeiramente ovalados, profundos,
bem afastados. Coloração do castanho-escuro ao
amarelo, em harmonia com a pigmentação e a cor geral
da pelagem. Devido à pele solta, alguns cães
apresentam pálpebra inferior caída, detalhe não
faltoso, pois apenas aumenta a expressão triste
típica.
Focinho: De
perfil, comprimento praticamente igual ao do crânio.
Forma retangular, porém muito profundo. Todavia,
nunca deve a profundidade igualar ou ultrapassar o
comprimento.
Linha anterior reta, descendo levemente inclinada,
entrando, a meia altura, em curva ampla e perfeita,
até alcançar a linha inferior do focinho, também
definida pelos lábios superiores, que são grossos,
pendentes, sobrepondo-se aos inferiores, que são
firmemente fixados no queixo, porém soltos nos
lados, mostrando bordos denteados.
Comissura labial aparente.
De frente:
curvas do focinho (da frente, média e da raiz) bem
convexas, dando focinho cheio, assegurador de boa
implantação às raízes dentárias, e desenhando, sob
os olhos, focinho bastante rotundo; daí estreita-se,
muito levemente, até a curva média e, depois,
novamente alarga-se, também muito levemente, até a
curva anterior ou da frente, originando rima labial
(abertura da boca) em curva ampla. Visto de cima,
não deve o focinho cinturar na região da curva
média, que é apenas perceptível.
Nariz: De
narinas largas, bem desenvolvidas, mas nunca
ocupando toda a largura da maxila. Cor sempre negra.
Dentes e Mordedura: Dentes relativamente pequenos,
porém fortes e claros. Incisivos superiores largos
na raiz e afilados nas ponta. Caninos poderosos e
bem afastados. Mordedura em tesoura, ou seja,
incisivos inferiores encaixando na face interna dos
superiores.
Pescoço:
geralmente portado baixo, extraordinariamente
desenvolvido e musculado, dando-lhe a impressão de
curto. Bordo superior com leve convexidade. Garganta
provida de duas dobras de pele grossa, pendentes,
soltas, longitudinais e paralelas (barbelas).
Tronco: Forte, largo, profundo. Tórax mais comprido
do que o abdômen.
Tórax: Costelas
de perfeito arqueamento, dando peito largo e
profundo, sem interferir na movimentação do ombro e
descendo até a ponta dos cotovelos, num ombro bem
estruturado.
Flanco: Menos
comprido e menos profundo do que o tórax, bem
cinzelado, separando suas várias partes componentes.
Visto por cima, deve ser menos largo e cheio do que
o tórax e a garupa, porém sem cinturar.
Linha superior: Cernelha aberta e baixa, dado o
afastamento das omoplatas, todavia deve ser
perfeitamente aparente, em linha inclinada. No ponto
em que termina (dobradiça) a linha superior muda de
direção, ascendendo suavemente, em reta, até a ponta
anterior da garupa (ílio). A linha superior é,
portanto, formada por duas retas: uma até o final da
cernelha, outra até a garupa.
Linha Inferior:
Da ponta do peito (manúbrio esternal), desce, em
curva ampla e perfeita, formando o antepeito;
depois, em linha reta, paralela ao chão, segue até a
extremidade posterior do esterno (xifóide); e deste
ponto eleva-se, suavemente, nos machos até a bainha
do pênis, nas fêmeas até a aba do flanco, nelas mais
desenvolvidas, impedindo a visão da ascendência
abdominal e influenciando a linha inferior.
Anteriores:
1) Ombro:
estruturado por dois ossos de igual tamanho:
omoplata, ou escápula, e úmero; aquela a 45 graus da
horizontal, e este a 90 graus dela. A articulação
escapulo-umeral forma a “ponta do ombro”, que deve
situar-se ao nível da do peito, um pouco à
retaguarda desta. No ideal, o ombro deve ocupar o
espaço da cernelha ao esterno, e a “ponta do ombro”
deve situar-se a meia altura dessa distância.
2) Pernas: de
ossatura poderosa e reta; carpos aparentes;
metacarpos curtos, levemente inclinados.
3) Pés: formados
por dedos fortes e bem arqueados, não muito juntos,
apoiados em digitais espessas e contornando
almofadas plantares largas, profundas e grossas.
Em sua posição correta, os dedos devem apontar para
a frente. Unhas fortes, escuras, podendo ser
brancas, quando esta for a cor do respectivo dedo.
Uma perpendicular imaginária, descendo da cernelha,
deve atravessar o cotovelo e atingir o pé.
O cotovelo (olecrânio), na estrutura ideal, deve
coincidir com o esterno.
Posteriores:
1) Garupa:
estruturada pelo ilíaco, largo, longo, angulado a 30
graus da horizontal, definindo curva suave, desde a
ponta anterior da garupa (ílio) até a posterior
(ísquio) ou “ponta da nádega”. A ponta do ílio
situa-se no mesmo nível ou um pouco mais alto do que
a cernelha.
Uma horizontal imaginária, partindo da “ponta da
nádega” (ísquio), deve alcançar a do ombro e, mais
adiante, a do peito, determinado o comprimento do
cão.
Vista por trás, a garupa deve ser ampla, de largura
igual à do tórax, mesmo nos machos, podendo ser
ainda mais larga nas fêmeas.
2) Coxa:
estruturada pelo fêmur, angulado a 60 graus, mais ou
menos, da horizontal, ou do chão, e a 90 graus do
ilíaco. Larga, de bordos abaulados, formados que são
estes pelos músculos que descem do ílio e do ísquio,
estes últimos desenhando a curva da nádega, razão de
se exigir o ísquio de bom comprimento.
3) Perna:
propriamente dita é o trecho estruturado pela tíbia,
bem angulada, salientando o joelho e projetando o
jarrete para trás. Tarsos fortes, bem aparentes.
Metatarsos bem inclinados, mais altos do que os
metacarpos.
Vistas por trás, as pernas devem ser paralelas e as
coxas bem musculadas nas faces internas.
4) Pés: um pouco
mais ovalados do que os anteriores e iguais a estes
no restante. Não devem apresentar unhas perdidas (ergots).
Cauda: Vista de lado, não deve afetar a curva da
garupa, ao contrário, deve a ela se adaptar, não se
destacando em demasia. Sua inserção é média. Estando
o cão excitado, eleva-se, sem porém nunca atingir a
vertical e muito menos cair sobre o dorso. Na ponta
forma curva aberta (curva de anzol), e nunca devendo
se enroscar. Estando o cão em repouso, ela cai,
reta, até atingir os jarretes. Vista por trás, sua
raiz deve ser muito larga, forte, revelando
vértebras poderosas, afinando gradativamente até sua
extremidade.
Pele: Representa
uma das características rácicas mais importantes.
Deve ser grossa, solta em todo o tronco,
principalmente no pescoço, formando barbelas na
garganta que, em muitos casos, prosseguem pelo peito
e abdômen; alguns cães apresentam uma dobra nas
laterais da cabeça, e, também, na cernelha e ombro.
Estando o cão em repouso, a cabeça não deve
apresentar rugas; excitado, a contração da pele do
crânio, para erguer as orelhas, forma, entre estas,
pequenas rugas longitudinais ao crânio. Testa isenta
de rugas.
Pelagem: Baixa, curta, acamada; pêlos rústicos,
grossos, destacados individualmente à visão e ao
tato. Um pouco mais bastos na cernelha.
Cor: São
permitidas as seguintes cores:
1) Amarelos, em todas as tonalidades, desde o baio
até o vermelho.
2) Amarelos, em todas as tonalidades, do baio ao
vermelho, mas com uma sombra acinzentada.
3) As cores 1 e 2, mas com máscara e orelhas pretas,
ou somente máscara preta.
4) Rajados, tigrados ou araçás: fundo, ou cor base,
igual a uma das anteriores, com listas ou rajas
pretas. As rajas são finas, de uma só largura em
toda sua extensão, distribuídas irregularmente por
todo o corpo; e também de comprimento muito variado
e diverso. Na linha superior do corpo, costumam se
encontrar em “V”.
5)
Rajados com
máscara e orelhas pretas.
6) Brancos com grandes malhas rajadas, estas iguais
à cor 4. O branco deve ser puro, sem manchas escuras
na pele, provocando sombras.
7) Cinza claro, prateado.
8) Quaisquer dessas cores, com marcas brancas,
geralmente nos membros, no peito e na cauda; mais
raramente no pescoço, e no focinho, subindo ao
crânio.
Altura: Na
cernelha:
Machos: mínima
65 cm., máxima 70 cm.
Fêmeas: mínima
60 cm., máxima 65 cm.
Peso:
Machos: por volta de
50 quilos
Fêmeas:
por volta de 40 quilos.
Faltas: Tudo
quanto se afastar do ideal, descrito neste padrão. A
gravidade da falta estará na razão direta do
afastamento.
Desqualificações Gerais:
1) Orelhas operadas.
2) Caudas operadas.
3) Nariz cor de carne.
4) Prognatismo, influenciando a linha anterior do
focinho.
5) Brancos sem qualquer mancha de outra cor.
6) Fundo branco com malhas pretas.
7) Pretos azeviche.
8) Pretos ardósia.
9) Pretos azeviche ou ardósia, com manchas brancas.
10) Cinza rato.
11) Cinza azulado.
12) Fundo cinza com malhas pretas.
13) Rima labial em ângulo agudo.
14) Temperamento sem reação positiva ao ataque.
15) Forte sensibilidade negativa ao tiro.
Desqualificações por
Miscigenação:
Notas:
1)
São aqui destacadas as mais comuns e, para
facilidade, divididas pelo aspecto geral, cabeça
etc. Face à variedade de heranças genéticas e,
conseqüentemente, de tipos, não deve o juiz esperar
um desses conjuntos de caracteres num mesmo cão.
Portanto, sempre que um ou mais desses caracteres
forem encontrados e, pela intensidade e tipicidade,
o convencerem da miscigenação, deve o juiz
desqualificar.
2) Exemplares há ostentando detalhes somáticos
denunciadores de várias mestiçagens. O fato não deve
surpreender o julgador, pois apenas comprova a
extensão e variedade da miscigenação, com utilização
de várias, e não apenas uma raça.
A) Miscigenação com Mastim
Napolitano:
A-1) Tipo fortemente brevilíneo, de pernas curtas,
peito largo. Linha superior côncava, dando garupa
alta, plana, cauda de inserção alta, curta, tendendo
a enroscar e a cair sobre o dorso. Linha inferior em
curvas opostas: convexa a do tórax (tórax de rede),
côncava a do abdômen (esgalgada).
A-2) Crânio largo, continuando a curva em suas
laterais, abauladas, dando à cabeça forma que lembra
a de uma bola; por contraste, o focinho fica
parecendo mais estreito. Orelhas de inserção alta.
Stop rotundo, formado pelo frontal, alto, fazendo
testa. Rima labial em ângulo agudo.
Focinho, de perfil, apresentando profundidade igual
ou maior que o comprimento. De frente, é estreito, o
nariz ocupando toda a sua frente. Sem curvas
convexas. Garganta com papada (peles soltas
transversais). Expressão de enfado, com olhos
semi-cerrados, boca aberta, mostrando a ponta da
língua.
A-3) Cor preta ardósia; fundo cinza com rajas
pretas; cinza chumbo.
B) Miscigenação com Dogue
Alemão:
B-1) Figura quadrada, longilíneo, pernas altas,
pescoço longo, garganta sem barbelas.
Esterno curto, originando rápida ascensão da linha
inferior, em diagonal (tórax de arenque). Aba do
flanco muito grande, mesmo nos machos. Articulação e
movimentação firmes. Garupa sem inclinação. Cauda
fina.
Ombros abertos e deslocados para a frente,
virtualmente colocados sob o pescoço.
B-2) Cabeça estreita. Nariz grande e largo. Cabeça
com pouca profundidade; crânio plano, chato; stop
pequeno; orelhas finas, estreitas, de inserção alta.
Olhos tendendo para o azul. Focinho comprido, com
sua linha inferior paralela à superior.
B-3) Cor preta azeviche; cinza rato ou cinza
azulado; fundo cinza com malhas pretas; brancos com
malhas pretas ou cinzas, ou destas duas cores. Pêlo
muito baixo e muito colado ao corpo, pelagem
composta por pêlos muito finos.
C) Miscigenação com Mastim
Inglês:
C-1) Tipo agigantado, tendendo para o quadrado.
Dorso reto. Frente mais alta que a garupa.
C-2) Vista de frente, a cabeça é larga, parecendo
estreitar entre as orelhas, que são pequenas, em
forma de “V”, finas, de inserção muito alta,
praticamente em cima do crânio e quase sempre
pretas.
Testa globulosa; stop abrupto, formado pelo frontal.
Testa enrugada. Occipital pouco saliente.
De perfil o focinho é de comprimento igual à metade
do comprimento do crânio (1 para 2). Focinho
profundo, porém menos profundo na ponta, trecho no
qual o lábio superior não é tão profundo. A linha
anterior forma ângulo reto com a superior e é
vertical, ou até mesmo tombada, denunciando
mordedura em torquês ou em prognatismo inferior.
Queixo saliente, participando da formação da linha
anterior. Máscara preta.
C-3) Fundo amarelo-abricot com manchas pretas.
Estas, muito numerosas, de forma ovalada. Seu número
é tal que os trechos visíveis do fundo ficam
praticamente da mesma largura das manchas, dando uma
falsa idéia de cor rajada ou tigrada escura. |